A Conferência de Berlim  

A 15 de Novembro de 1885 é realizada a Conferência de Berlim que teve como objectivo organizar a ocupação de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.

Esta conferência estabeleceu o princípio de ocupação efectiva que consistia na pertença dos territórios africanos apenas aos países com meios para os ocupar de facto. Isto veio a favorecer os países mais poderosos e mais tarde foi algo muito prejudicial para Portugal...

Desde finais do século XIX, a monarquia portuguesa encontrava-se debilitada pelo descrédito, corrupção, especulação, escândalos e compadrio que envolviam vários membros do governo, nobreza e grandes capitalistas. Vivia-se em Portugal uma crise económica e social. Por outro lado, o rotativismo partidário começava a dar sinais de desgaste, sendo olhado com desconfiança pela população.

 

O Regicídio – 1908 – foi um dos acontecimentos que demonstra, de forma vibrante, este desgaste do regime. O Ultimatum inglês (1890) e a revolta de 31 de Janeiro de 1891 no Porto (a primeira tentativa de implantação da República) marcaram uma nova fase na política portuguesa, em que o nacionalismo e o patriotismo do povo português foram incentivados. Uma das formas encontradas foi a caricatura política. Registava-se, então, o crescimento de partidos políticos como o Partido Republicano e o Partido Socialista Português que defendiam os princípios de liberdade, igualdade política, democracia, municipalismo e associativismo, apoiados fervorosamente pela pequena e média burguesia e o operariado, as classes mais afectadas pelas dificuldades económicas de finais do século XIX e princípios do século XX.

À uma hora da madrugada de 4 de Outubro de 1910, vários quartéis e posições estratégicas de Lisboa foram ocupados por civis e militares, apoiados pelo Partido Republicano, Maçonaria e Carbonária. Foram atacados simultaneamente o Palácio das Necessidades, onde se pensava encontrar o rei, o Quartel-General e o Quartel do Carmo, aquartelamento da guarda de elite da Monarquia. Os combatentes republicanos, comandados por Machado Santos, concentraram-se na Rotunda de Lisboa. A Guarda Municipal e as tropas fiéis ao rei juntaram-se no Rossio. No Tejo, dois cruzadores da Marinha tinham também aderido à Revolução. A Revolução parecia perdida; os combatentes na Rotunda achavam-se em inferioridade numérica. Porém, o movimento vingou devido ao facto do povo de Lisboa ter aderido entusiasticamente à revolta.
No dia seguinte, era proclamada, por José Relvas, a República da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, sem grande oposição. O último rei de Portugal – D. Manuel II – partia, na Ericeira, com a família para o exílio, em Inglaterra.

Com a implantação da República institui-se um governo provisório, presidido por Teófilo Braga. Procedeu-se à elaboração de uma nova Constituição (aprovada em 1911) e adoptaram-se novos símbolos para o novo regime – uma moeda (o escudo), uma bandeira (a actual) e um hino (A Portuguesa).

Resolve os exercícios:

http://historianove.no.sapo.pt/simbolos_republica.htm

 Vê o filme:

http://bulimunda.wordpress.com/2009/10/05/portugal-monarquico-1890-1910-parte-13/#comment-1168

 UM ANO DEPOIS...

Após a implantação da República, Vinhais tornou-se um centro de atenções de todos os portugueses.

Entre 4 e 5 de Outubro de 1911, a vila foi invadida por Paiva Couceiro que, com esta incursão, pretendia defender a liberdade politica e religiosa dos seus compatriotas monárquicos.

No dia 5 de Outubro de 1911, enquanto por todo o país se comemorava o primeiro aniversário da implantação da República, a monarquia era restaurada em Vinhais, em cuja Câmara Municipal era içada a bandeira azul e branca.

No alto da Corujeira Paiva Couceiro atacou com as suas gentes as forças republicanas que, sob o comando do capitão Andrade, tinham tomado posições no Monte da Ucha, mas que se viram forçados a retirar em direcção a Chaves. Acto continuo Paiva Couceiro entrou em Vinhais, sendo calorosamente recebido e aclamado.

Poucas horas se demoraram os combatentes monárquicos em Vinhais, donde retiraram durante a noite.

O governo provisório decretou de imediato medidas rigorosas; para Vinhais foi destacado um pequeno exército oficial, afim de repelirem os invasores. Paiva Couceiro retirou-se com as suas tropas com o plano de empreender uma acção de “guerrilhas” através de Trás-os-Montes e do Minho, enquanto as suas reduzidas forças o permitissem manter-se em luta.